O silêncio, a calmaria, a serenidade, a tranquilidade é requerida para que haja muitas considerações, recalibrações, reavaliações, e mudanças principalmente internas.
Nossa mente é a mais falante de todo nosso convívio, e a que é mais difícil calar, ela fala a todo o tempo, fora de hora, fora de contexto, sem limites, sem filtros, comparo ela a um cavalo dos menos domáveis, que tem força, quer tomar seu próprio rumo, pensar quando quer e da forma que quer, cria novelas, filmes dos mais aclamados pela crítica, confabula sobre tudo e todos, tem conceitos e opiniões sobre tudo, e simplesmente não cessa de falar….e dá vontade de simplesmente falar ” shiiiii, fica quieta!”, mas a questão é: como fazer ela se calar, ou pelo menos diminuir seu ritmo?
Ontem coloquei meu tênis nike branco, meu guerreiro, e fui correr no bairro, e daí a minha mente se intrometeu falando que eu estava com um pouquinho de dor – “será que pode ser meu pé de novo? teria problema de forçar e seguir correndo?” – e ela mesmo pergunta e responde – “acho que não, a dor é normal porque estou voltando correr, bora” – daí você lembra do seu dia, das lamúrias da vida, daí do nada você sente a brisa e começa a agradecer – “que delícia, que liberdade boa!” – e vem tudo, um filme na cabeça de tantas coisas, até que – STILLNESS (traduzindo do inglês: quietude, tranquilidade, serenidade, silêncio…). E aí mora o maior desafio: fazer ela calar, se acalmar.
Quão faladora tem sido sua mente? Você dá muita atenção pra tudo o que ela diz?
Se você der muita renda solta, ela te leva a acreditar no que não existe, há muitas ilusões que a mente cria e nos faz acreditar, daí vem os muitos atritos nas nossas relações interpessoais na família, no trabalho, na sociedade em geral.
Em toda essa falação, tenho aprendido algumas lições, às vezes sou bem sucedida e às vezes não, mas como tudo na vida é uma questão de prática, então o melhor de tudo é seguir aplicando:
1– Perguntar pra atestar uma teoria: Por exemplo, você passa e fala com uma pessoa, ela responde meio fria, e daí já vem as milhares de teorias – “nossa, que mal humorada” ou “será que fiz alguma coisa? será que está com raiva de mim?” ou “ah, já sei, foi aquele dia que neguei isso” ou “eita, será que fulano comentou com ela aquilo que aconteceu” e se você der espaço, vai criar teorias, com evidências e constatações, e vai te fazer acreditar naquilo, afetando seu humor, daí você já fica mal com a pessoa….nossa! Que viagem, né?! E que cansativo! Bom, ao meu ver, perguntar desfaz e detém a teoria de se aprofundar e se tornar uma espécie de convencimento e isso meio que faz voltarmos pra racionalizar aquilo se é um fato mesmo, e ainda que seja, nos ajuda a questionar se vale a pena despender nossa energia com aquilo, se irá mudar alguma coisa manter nossa mente focada nesse assunto.
2-Mudar o foco: Não é ignorar totalmente, mas dar um ‘gelo’ naquele pensamento aflorado, e ir pra algo que faça você distrair daquele pensamento para que ele não cresça e tome todo seu ser. Cada um de nós deve buscar algo, eu por exemplo, adotei a escrita que tem me ajudado bastante nisso.
3-Buscar uma forma de se esvaziar: Durante cada segundo do nosso dia, tudo nos entulha, pois estamos recebendo uma enxurrada de informações, o que nos leva a funcionar de uma maneira extremamente acelerada, nosso processador mental deve ficar até quente, e sim, isso gasta muito a nossa energia, ficamos exaustos, e qualquer coisinha a mais pode nos fazer transbordar, seja chorando, discutindo, falando atravessado com alguém, gera irritação, inquietação e dá vontade de fugir, mas como fugir de si mesmo? Pois então…a maneira mais eficaz que eu pessoalmente tenho encontrado é correr (pra outros pode ser treinar, jogar, tocar, lutar, etc…) e voltando ao início desse meu post, quando citei que peguei meu nike branco, sim, ali após muitas interferências mentais, simplesmente restou a calmaria dos meus pensamentos, nada me relaxa mais e me ajuda mais a esvaziar minha mente do que correr. Ali naquele momento entendo que é o desafio que seu corpo trava com sua mente e com sua vontade. O corpo tem seus limites, surge cansaço, alguns desconfortos, mas a vontade decide e você vai e o corpo apenas obedece, mas no caminho a mente começa a te testar, te anima, te faz duvidar, mas por fim ela se rende, porque você decidiu e nesse momento a vontade tem força imperante. Por fim, a mente se submete e se cala, e ao se calar, ela vai se esvaziando, se colocando no prumo, sai do lugar de empoderamento, e simplesmente entra no modo apoio e acredita no que a vontade já determinou. Interessante, né?! Por isso podemos perceber a constância dos atletas, não pense que foi devido primeiramente à mente deles, mas foi a vontade que decidiu e logo a mente a seguiu. Ser constante não depende nossos sentimentos e muito menos dos nossos pensamentos (que são extremamente vacilantes e flutuantes), mas da nossa vontade, quando ela é firme, ela cala tudo dentro de nós e nos leva ir em frente.
Quando a vontade silencia a mente, esta passa a agir de forma clara, avaliar de forma serena e considerar sem muita euforia as coisas, pessoas, e os acontecimentos. Ela aprende, absorve, interpreta, idealiza e funciona de forma mais amena, e por isso, sair desse lugar dos furacões dos pensamentos, primeiro é a partir do aquietar, do silenciar, e claro, não tem como nossa mente viver calada, pois ela é muito necessária, mas nossa mente só é útil se ela estiver serena, caso contrário, ela desequilibra todo nosso ser.
E você, consegue apaziguar sua mente? O que você faz para isso?
